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Níveis de estruturação da fala


As postagens referem-se ao texto Oralidade e escrita

A fala estrutura-se em dois níveis: o global e o local. O primeiro estabelece uma condição para a resposta, obedecendo a regras de organização da fala, referente à organização do tópico discursivo, e utiliza advérbios e conjunções. O segundo nível se estabelece por meio de turnos. Ou seja, enquanto um locutor está com a palavra o outro “age” como ouvinte até que tenha a oportunidade de ser o falante. Podem ocorrer intervenções.
Para esclarecer melhor, observe os exemplos:

NÍVEL GLOBAL: Duas crianças ao se conhecerem no 1º dia de aula:

L1 Oi! Meu nome é Clara. Como você se chama?
L2 Me chamo Gabriela. E quem te trouxe pra escola?
L1 Eu vim com meus pais. E você?
L2 Meu irmão me trouxe.


NÍVEL LOCAL: Três meninas falando sobre suas bonecas.
L1 a minha boneca é mais bonita que a sua
L2 mas a minha dá pra colorir o cabelo dela
L3 é... a minha é igual a dela



Estruturação do texto falado
Como todo texto, o texto falado possui em sua estrutura um elemento fundamental para sua compreensão: a coesão. Neste tipo de texto ela pode apresentar-se de três formas: coesão referencial, a qual ocorre quando um locutor, em sua fala, provoca a repetição lexical. Ou seja, ele repete termos sucessivamente, pois não encontra palavras que possa utilizar para continuar o turno; coesão recorrencial, a qual ocorre quando um locutor diz o mesmo em outras palavras (paráfrase); e a coesão seqüencial, na qual um locutor emprega um conector diversas vezes seguidas no texto falado, mas com funções diferentes.
Além disso, o texto falado conta com elementos básicos, sendo eles: o turno, o tópico discursivo, os marcadores conversacionais e o par adjacente. Observe as explicações:


Turno – qualquer intervenção feita pelos interlocutores, fazendo-os alternar os papéis de falante e ouvinte. Segundo Sacks, Schegloff & Jefferson (1974:701-702) a conversação tem que mostrar algumas propriedades, tais como: em cada turno, fala um de cada vez; transições de um turno a outro sem intervalo e sem sobreposição são comuns, longas pausas e sobreposições extensas são minoria; a ordem e o tamanho dos turnos são variáveis; são usadas técnicas de atribuição de turnos, dentre outros.

Tópico discursivo - tema abordado na atividade conversacional. A partir dele, os interlocutores interagem sobre o mesmo assunto, concordando, discordando ou agindo de outra forma. Assim, é explorada uma propriedade: a centração. Além dessa, existe a organicidade, na qual o tópico se define em dois planos: sequencial - distribuição linear ou horizontal - e hierárquica – distribuição vertical. E por fim, tem a delimitação local, onde o tópico é marcado por início, desenvolvimento e fecho.
Marcadores conversacionais - no processo de interação da fala ele sindicam os elementos verbais (palavras, sintagmas, expressões estereotipadas), prosódicos (entonações) e paralinguísticos (gestos físicos).
Par adjacente – são pares existentes em uma conversação, como: pergunta-resposta, convite-aceitação ou recusa, pedido-concordância ou recusa, saudação-saudação.

Todas essas explicações dadas aqui são, ao mesmo tempo, importantes e interessantes para a compreensão estrutural, tanto do texto falado quanto do texto escrito. Esperamos que esta exposição venha a ajudar.
Gratas pela atenção,
Alessandra e Fernanda.











Comentários

  1. O texto ficou bem articulado e retrata o exercício reflexivo realizado. Parabéns!

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